Bioeconomy Challenge lançado na COP30 para acelerar uma transição justa

17 de novembro de 2025 - Belém (PA) - Líderes globais anunciaram hoje na COP30 em Belém o Desafio da Bioeconomia, uma plataforma global projetada para traduzir os 10 Princípios de Alto Nível da Bioeconomia em ações concretas e soluções escalonáveis até 2028.

A iniciativa posiciona a bioeconomia no centro da resposta global à crise climática. Com base no legado da Iniciativa de Bioeconomia do G20 (GIB), o Bioeconomy Challenge visa expandir os mercados de bioeconomia para proteger a natureza, acelerar a descarbonização e estabelecer a sociobioeconomia como base para um crescimento justo e inclusivo - colocando as pessoas e as comunidades no centro da tomada de decisões.

"A bioeconomia é uma parte essencial do roteiro para acabar com o desmatamento e promover uma transição justa para um novo ciclo de prosperidade. Ela substitui uma economia predatória por outra que é sustentável e regenerativa, enraizada em produtos baseados na biodiversidade que podem gerar alimentos, produtos farmacêuticos, cosméticos, fibras, bioinsumos, biomateriais e conhecimento tradicional. Tenho muita esperança de que possamos criar um novo ciclo de prosperidade - diversificado, sustentável e justo para todos", disse a Ministra do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas do Brasil, Marina Silva, que foi aplaudida de pé durante o evento realizado na Zona Azul da COP.

O Bioeconomy Challenge é uma plataforma internacional com um cronograma de três anos que envolve governos, empresas, universidades, organizações da sociedade civil e especialistas. Mais de 63 organizações de mais de 20 países já manifestaram interesse. A iniciativa tem como objetivo abordar lacunas críticas em métricas, finanças e desenvolvimento de mercado que continuam a impedir o investimento em escala.

Ele foi criado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Brasil para impulsionar a implementação do Objetivo Estratégico 29 da Agenda de Ação da COP30, com base nos fundamentos estabelecidos sob as presidências do G20 do Brasil (2024) e da África do Sul (2025).

"Ela é muito mais ampla do que a iniciativa de bioeconomia do G20, que se concentrava principalmente nos países. Agora podemos envolver comunidades, financiadores, centros de pesquisa e empresas. Essa é a nossa oportunidade. Queremos realmente incluir todos esses atores nos grupos de trabalho e promover a colaboração entre eles, envolvendo tanto o Norte quanto o Sul Global", disse Luana Maia, Diretora da NatureFinance no Brasil.

Com a NatureFinance como Secretaria Executiva, um Comitê Diretor que reúne governos, empresas e sociedade civil, e um Grupo Consultivo, a iniciativa estabelece um modelo de governança compartilhada para gerar um impacto mensurável.

Quatro grupos de trabalho especializados apoiarão a implementação: Métricas e indicadores, liderados pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), Mecanismos de financiamento, liderados pelo Grupo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Desenvolvimento de mercado e comércio, coordenados pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), e Sociobioeconomia e benefícios comunitários, coordenados pelo World Resources Institute (WRI).

"Precisamos de mais ambição nos compromissos financeiros e políticos. Acho que nossa bússola foi definida por todos esses anúncios que fizemos. A bússola nos aponta a direção certa. Mas ainda não temos uma visão clara do terreno. Acho que essa é a essência do Bioeconomy Challenge. Como disseram a ministra e os palestrantes anteriores, precisamos de um roteiro claro para nossas metas climáticas e para as comunidades. Precisamos de um mapa muito claro que oriente a bioeconomia, o que devemos fazer - mas precisa ser um mapa inclusivo, que envolva todos os setores que ela abrange: de alimentos a biomateriais, de bioenergia a outros. Esse mapa precisa ser real e concreto", disse Carina Pimenta, Secretária Nacional de Bioeconomia do Brasil e Presidente do Comitê Diretor.

Agenda de Ação
O Bioeconomy Challenge faz parte do Plano de Aceleração de Soluções da COP30.

"Pela primeira vez na história da COP, a bioeconomia foi colocada como um objetivo central da Agenda de Ação - Objetivo 29 sobre bioeconomia e biotecnologia. Dedicamos não apenas um, mas dois dias temáticos a discussões profundas e significativas sobre como liberar todo o seu potencial, e temos o prazer de comemorar os excelentes resultados que alcançamos juntos", disse o Embaixador Mauricio Lyrio, Secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores do Brasil e negociador principal do Brasil na COP30.

Também pela primeira vez em trinta anos, a Conferência do Clima nomeou um Representante do Clima para a Bioeconomia, Marcelo Behar, ressaltando a liderança do Brasil na incorporação dessa agenda na governança climática global.

"Queremos criar as condições para o investimento privado em tecnologias de alto risco e alto valor para impulsionar e acelerar a inovação. Ao posicionar esses setores como centros de crescimento sustentável, podemos transformar nosso modelo econômico. Isso nos permitirá descarbonizar e fortalecer a resiliência das cadeias de suprimentos corporativas. O Brasil está definindo o ritmo do trabalho global de bioeconomia", disse Mary Creagh, Ministra de Assuntos Rurais e Ambientais do Reino Unido.

O Ministro do Meio Ambiente da Alemanha, Carsten Schneider, que sobrevoou a floresta amazônica no dia anterior, também participou do lançamento: "Vivemos em tempos desafiadores. A perspectiva de uma bioeconomia sustentável e circular me dá esperança. Ela tem o potencial de unir proteção ambiental, crescimento econômico e igualdade social - criando oportunidades econômicas e, ao mesmo tempo, respeitando o conhecimento tradicional e protegendo a natureza."

Juan Carlos Jintiach, Secretário Executivo da Aliança Global de Comunidades Territoriais (GATC), destacou o papel crucial dos povos tradicionais e indígenas na proteção das florestas e da natureza: "Olhando para trás, vejo a destruição do mundo, inclusive de nossa própria terra, e ainda assim nós a protegemos. Essa é a nossa contribuição para o planeta - o que fazemos e o que o governo faz. Basta nos ouvir e ver, porque a resposta está em garantir a proteção de nossas terras para que possamos continuar vivendo aqui. Nós cuidamos desse território para o mundo e para as gerações futuras. Não entregaremos outro planeta - este é o que temos. Esta é uma oportunidade extraordinária."

Transformando princípios em prática
De acordo com Kaveh Zahedi, Diretor de Clima e Biodiversidade da FAO, anos de discussão prepararam o caminho para as próximas etapas: "No G20, o Brasil foi inspirador, e a África do Sul aprofundou a análise das métricas. Agora temos uma década de experiência e centenas de especialistas altamente preparados."

Gregory Watson, líder do Laboratório de Capital Natural do BID, enfatizou a oportunidade para a bioeconomia dentro do programa Amazon Forever do BID, que visa expandir o financiamento e fortalecer a coordenação regional para o desenvolvimento sustentável: "Vemos isso como um reconhecimento do progresso coletivo em relação à biodiversidade e aos princípios de proteção climática que estamos implementando no BID. Estamos trabalhando para integrar esses princípios em nossa estrutura temática para definir a bioeconomia nas diretrizes de desenvolvimento e na elaboração de projetos do Banco."

Liderando o grupo de trabalho de Desenvolvimento de Mercado e Comércio, a ONU Comércio e Meio Ambiente planeja promover parcerias de treinamento e capacitação: "Estamos trabalhando nisso há quase 30 anos, e o que aprendemos é que o ecossistema precisa trabalhar em conjunto. É por isso que eu preciso fazer algo como isso para as pessoas - e nos unir", disse Chantal Line-Carpentier, Chefe de Meio Ambiente, Clima e Desenvolvimento Sustentável da UNCTAD.

Craig Hanson, Diretor Geral de Programas do WRI, compartilhou exemplos de projetos de bioeconomia de todo o mundo: "Pense na silvicultura comunitária em andamento na Bacia do Congo - isso é bioeconomia. Veja o México e a América Central, onde vemos empresas voltadas para a comunidade - isso é bioeconomia. Os elementos existem. Só precisamos aproveitá-los e ampliar a agenda. Um colega disse que precisamos passar do nicho para o mainstream, e eu não poderia concordar mais. Espero que o dia de hoje marque o momento em que iniciaremos esse movimento."

O evento de lançamento
Panel: "Bioeconomy Challenge: Translating the G20 High-Level Principles into Systemic Action through a Global Bioeconomy Roadmap"
Realizado em 17 de novembro

Sessão 1 - Moldando o papel da bioeconomia na arena internacional
Marina Silva, Ministra do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, Brasil
Mauricio Lyrio, Secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente, Ministério das Relações Exteriores, e principal negociador do Brasil na COP30
Mary Creagh, Ministra de Assuntos Rurais e Ambientais, Reino Unido
Carsten Schneider, Ministro do Meio Ambiente, Ação Climática, Conservação da Natureza e Segurança Nuclear, Alemanha
Juan Carlos Jintiach, Secretário Executivo, Aliança Global de Comunidades Territoriais - GATC
Jennie Dodson, Diretora Sênior de Política, Advocacia e Mobilização de Membros, WBCSD

Sessão 2 - Transformando princípios em prática
Carina Pimenta, Secretária Nacional de Bioeconomia, Brasil, e Presidente do Comitê Diretor
Luana Maia, Diretora da NatureFinance no Brasil
Kaveh Zahedi, Diretor de Clima e Biodiversidade, FAO
Chantal Line-Carpentier, Chefe de Meio Ambiente, Clima e Desenvolvimento Sustentável, UNCTAD
Craig Hanson, Diretor Geral de Programas, WRI
Gregory Watson, Líder do Programa Laboratório de Capital Natural, BID
Marcelo Behar, Enviado Especial da COP30 para a Bioeconomia

Contato com a mídia

Entre em contato com Amandine Ambregni, Diretora de Comunicações da NatureFinance, pelo e-mail communications@bioeconomychallenge.org

Roberta Zandonai, gerente de comunicações e engajamento da NatureFinance, em communications@bioeconomychallenge.org

Assessoria de Comunicação Especial do Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas do Brasil, em imprensa@mma.gov.br 

Sobre o Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas do Brasil (MMA)

Criado em 1992 durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92), o Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas do Brasil (MMA) é a autoridade federal responsável pelas políticas ambientais e climáticas nacionais. Com sede em Brasília, ele promove o desenvolvimento sustentável alinhando proteção ambiental, crescimento econômico e inclusão social.

As principais áreas do Ministério incluem a Política Nacional do Meio Ambiente, a Política Nacional de Mudanças Climáticas, a Política Nacional de Pagamentos por Serviços Ambientais e a Política Nacional de Qualidade do Ar. Ele também gerencia a conservação da biodiversidade e das florestas, a recuperação da vegetação nativa, a gestão de resíduos sólidos e a educação ambiental, além de coordenar ações intersetoriais em energia, agricultura, cidades e pesca. 

Por meio de sua Secretaria Nacional de Bioeconomia, o MMA projeta e implementa o Plano Nacional de Bioeconomia do Brasil, promovendo o uso sustentável da biodiversidade, dos serviços ecossistêmicos e dos recursos genéticos. Promove o compartilhamento justo dos benefícios, apoia os produtos da sociobiodiversidade e promove modelos de negócios sustentáveis por meio de parcerias com instituições públicas, privadas e financeiras.

O Ministério supervisiona o IBAMA, o ICMBio, o Serviço Florestal Brasileiro e o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, formando a espinha dorsal do sistema de governança ambiental do Brasil. https://www.gov.br/mma/pt-br

Sobre a NatureFinance

O NatureFinance é um think tank e laboratório de soluções sem fins lucrativos que projeta e dimensiona ferramentas financeiras, estruturas de políticas e estratégias econômicas para alinhar as finanças globais a uma economia que funcione para a natureza, o clima e as pessoas.   

Ao conectar a inovação financeira aos resultados da economia real, o NatureFinance ajuda a construir um sistema financeiro global que valoriza a natureza como base para a resiliência, a prosperidade e a equidade. www.naturefinance.net 

Sobre a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO)

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) é uma agência especializada das Nações Unidas que lidera os esforços internacionais para derrotar a fome. Nosso objetivo é alcançar a segurança alimentar para todos e garantir que as pessoas tenham acesso regular a alimentos de alta qualidade em quantidade suficiente para levar uma vida ativa e saudável. Com 195 membros - 194 países e a União Europeia, a FAO trabalha em mais de 130 países em todo o mundo. Junte-se a nós na criação de um mundo sem fome e sem pobreza. https://www.fao.org/home/en

Sobre a UNCTAD (Comércio e Desenvolvimento das Nações Unidas)

A UNCTAD é o principal órgão da ONU sobre comércio e desenvolvimento. Fundada em 1964, ela apoia 195 estados-membros com análises de especialistas, assistência técnica e serve como uma plataforma para o diálogo intergovernamental. A UNCTAD ajuda os países em desenvolvimento a fazer com que o comércio, as finanças, os investimentos e a economia digital funcionem para o desenvolvimento inclusivo e sustentável. https://unctad.org/

Sobre o World Resources Institute Brasil (WRI Brasil)

O WRI Brasil trabalha para melhorar a vida das pessoas, proteger e restaurar a natureza e estabilizar o clima. Como uma organização de pesquisa independente, usamos dados, conhecimento e alcance global para influenciar políticas públicas e promover mudanças sistêmicas em áreas como alimentação, uso da terra e da água, energia e cidades.

O WRI Brasil faz parte do World Resources Institute (WRI). Fundado em 1982, o WRI tem mais de 2.000 funcionários trabalhando em mais de uma dúzia de países-chave e com parceiros em mais de 50 nações. https://www.wribrasil.org.br/sobre

Sobre o Grupo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (Grupo BID)

O Grupo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (Grupo do BID) é a principal fonte de financiamento e conhecimento para melhorar a vida na América Latina e no Caribe. É composto pelo BID, que trabalha com o setor público da região e capacita o setor privado; o BID Invest, que apoia diretamente empresas e projetos privados; e o BID Lab, que estimula a inovação empresarial. Durante a COP30, o Grupo do BID sediará mais de 80 eventos com a participação de líderes e especialistas internacionais que apresentarão soluções para fechar lacunas no financiamento do clima, da natureza e do desenvolvimento por meio de parcerias, inovação e foco no impacto mensurável na América Latina e no Caribe. Os jornalistas que estiverem cobrindo a COP30 pessoalmente são bem-vindos, sem necessidade de registro. Localizações: Pavilhão do Grupo do BID na Zona Azul, Casa do BID na Zona Verde, Estação AMAZÔNIA SEMPRE no Museu Goeldi. https://www.iadb.org/en

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